22
de
abril
Historia de Vida - 1ª Página(Port.)
Aqui estão escritas 03 páginas de um livro que estou escrevendo.
Pequena parte de um acontecimento e experiência vivida.
Quer ler? Por favor, leia até o fim.
PODERIA SER CHEIRO DE JASMIM…
MAS ERA CHEIRO DE LAVANDA.
Depois de tantos dias, de tantas noites, de tantas saudades, tristezas e poucas alegrias, naquela manhã ensolarada, tão cedo acordei com um raio solar que sobre a fresta da cortina veio de encontro ao meu rosto, não sabia o que causou aquela cena, mas logo descobri que depois de tantos dias e tantas noites aquela cortina desbotada de cor escura tinha sido substituída por outra de cor clara, razão do raio solar ter penetrado assim tão cedo e me acordar. Era manhã de domingo e por vários anos minha vida era monótona, sempre as mesmas coisas e o mesmo objetivo e para piorar, os sábados, domingos e feriados eram mais tristes ainda, nesses dias aquele lugar ficava tão deserto e tão calado que demorava uma eternidade passar. O lugar onde me encontrava era o substituto do meu lar, porém um lar onde a gente vive outra realidade com um projeto inicial único: sair dali, você não está ali porque quer, mas também não posso negar que dos momentos em que se vive é que surgem outros momentos a se viver.
Quando chegava 2ª feira de manhãzinha, como era bom ouvir o barulho das portas se abrindo, o barulho dos sapatos adentrando naquele recinto e também as vozes que vinham lá do fundo do corredor de entrada desfazendo todo o silêncio e toda calmaria que se encontrava naquele lugar. Por isso a 2ª segunda feira para mim e para muitos outros ali se tornara o melhor dia da semana, mas para mim ainda tinha uma outra segunda coisa boa, que era ver aquela pessoa de estatura mediana, corpo bem definido, rosto lindo escondido por traz de algumas mexas da franja de cabelos negros, que de tão lisos escorregavam sobre o seu rosto e insistiam em ficar escondendo boa parte dos teus olhos, do seu rosto e seu semblante, semblante este de uma pessoa madura, vivida e gênio forte, gênio daqueles que de tanto ver e participar de sofrimentos já não mais tinha sensibilidade e piedade de ver o sofrimento das pessoas que ali estavam, já não tinha mais iniciativa e paciência em mostrar um sorriso, uma alegria, até parecia que tudo na sua vida não tinha importância ou significado, ela era assim mesmo, esta pessoa insensível. Mas com o passar dos dias e dos anos eu acabei por descobrir que no interior e na alma daquela pessoa e para melhor esclarecer, daquela mulher, existia uma pessoa muito linda e atraente capaz de amar e de ser amada.
Era domingo de primavera, dia 10 de outubro de 1986, e por ser primavera, as vezes eu tinha a impressão de sentir um rápido e passageiro cheiro de perfumes de flores silvestres que adentrava em meu quarto, as flores realmente existiam e estavam lá fora, mas era impossível seu perfume chegar até o nono andar, era muito alto e o vento não permitia que o cheiro se propagasse por tão alto, mas logo descobri que o rápido e passageiro cheiro que eu sentia nada mais era que ilusão de olfato aguçado pelo desejo que eu tinha em poder estar lá fora no meio daquele jardim de árvores grandes e floridas, também descobri, mas fingia não saber que este cheiro era provocado pela fragância de limpa vidros que as zeladoras aplicavam sobre os móveis e vidraças.
Nesta mesma manhã de domingo de primavera 10 de outubro de 1.986 por volta das 06:30, tudo estava em silêncio e eu já sabia que seria mais um longo e triste domingo, mas me enganei e tudo foi tão diferente e maravilhoso que valeu a pena pelos 04 anos que eu estava ali e também pelos 08 meses a mais que eu ainda iria estar ali. Eis que surge do nada aquela pessoazinha com o mesmo semblante de sempre, exceto pelo seu penteado que estava de cabelos a soltas, mas as mechas da franja continuava a esconder parte de seus olhos e seu rosto, exceto também pela sua vestimenta que todos os dias eram brancas e naquele dia era um mediano vestido modelo tubinho de cor discreta de amarelado, seu vestido situava-se um pouco a cima dos joelhos. Esta pessoa de quem estou falando era a enfermeira Jolin que veio direto em minha direção, ao aproximar-se de mim uma imensa onda fria passou por todo o meu corpo. Ela, sem esboçar sentimentos, sem nenhuma explicação e satisfação, curvou-se bem próximo do meu rosto, olhou nos meus olhos e bem baixinho me disse, vá até ao banheiro e o mais rápido possível se higienize e coloque estas roupas, me entregando assim uma sacola de compras. Não tive tempo, não me ousei, nada fiz, não consegui e nada perguntei e sem entender e imaginar nada, rapidamente me dirigi ao banheiro e fiz o que ela me pediu e tão logo já estava de volta junto a ela. Ela novamente não demonstrou nenhum sentimento e simplesmente, em tom muito baixo disse vamos! Outra vez fiquei pasmo e não tive tempo e condições de pensar em nada do que estava acontecendo, seguimos pelo corredor, ela em passos rápidos e eu um pouco mais a trás a seguir te, ambos calados o único barulho que se ouvia era dos saltos do seu elegante sapato de cor semelhante a do seu vestido, neste momento em que eu te seguia é que deu tempo de arriscar um duvidoso e incrédulo pensamento do que estava acontecendo. Imaginei que seria uma transferência de unidade de tratamento, mas não foi isso, e ainda em silêncio eu te seguia e logo nos aproximamos de um pequeno carro de cor verde claro. Ela se dirigiu à parta do passageiro a abriu e eu entrei, em seguida deu a volta, adentrou no carro deu partida e saímos, os vidros estavam todos fechados, o carro estava muito limpo e eu ainda sem entender nada fui tomado por um cheiro muito gostoso e suave que tomou conta do meu olfato dominando a minha mente e o meu corpo e que me fez aos poucos eu ir me distanciando daquele mundo, daquela realidade, daquela mesmice de vários anos. Me vi como se estivesse dormindo meio ao jardim, meio a pétalas de flores exóticas e silvestres. Acho que era a sensação de liberdade. Não tive mais coragem de abrir os olhos por um longo período, e aquele cheiro suave, contagiante, tomava conta de mim, não era o cheiro do perfume dela e disto eu tinha certeza, era um cheiro que eu nunca tinha sentido. ESTE CHEIRO, ERA CHEIRO DE LAVANDA, um cheiro muito gostoso e apaixonante, era algo sem malícia, era algo puro, do paraíso, era algo divino nada a ver com este mundo, pensei que fosse um anjo que tinha vindo me buscar, um anjo que teve pena de mim, pena do meu sofrimento e estava me levando para sempre para perto de Deus, e sem que ela falasse comigo e sem que eu tivesse coragem de abrir os olhos continuávamos calados e se locomovendo e na minha concepção, rumo a um lugar lindo, simplesmente rumo ao céus, ao paraíso, não ao paraíso da malícia do pecado e sim paraíso da eternidade. O carro parou e uma voz branda soou dizendo o meu nome e eu tive que acordar, eu tive que abrir os olhos, enfim, eu tive que viver novamente e logo percebi que ainda estava aqui. Estávamos parados em um lugar lindo, um lugar mágico e diferente, era aqui mesmo na terra, não era sonho, não era o Céu, afinal eu realmente acordei e fiquei contente, era um lugar diferente do que eu estava vivendo há 04 anos, era uma pequena área gramada, um plano no alto, ao lado de uma montanha, era um lugar feito pelas mãos do homem com auxílio de máquinas possantes, e não tenho dúvidas que aquele lugar tinha as mãos de Deus também por ser assim tão planejado e tão bonito, a vegetação era de árvores nativas naturais dali mesmo, misturada com plantas ornamentais ali plantadas, tudo era perfeito, tudo combinava e estavam em harmonia e como era primavera tinha lindas flores e lindas borboletas voando… … continuação na 2ª página…Clique na parte superior direita - História de Vida-2ª Página (Port.)

